Hamburgo

Semana passada eu voei com um tripulante do México, o Carlos. Estávamos operando um bate volta para Hyderabad, Índia. O Carlos havia sido acionado para aquele voo, e para falar a verdade, ele não estava muito feliz por estar ali. Foi durante o voo que o menino me relatou que havia ganho uma falta no trabalho no dia anterior, pois dormiu demais e não ouviu o relógio despertar. Obviamente, que ele foi removido do seu voo original e alocado três dias de “disponível”. O estar “disponível” significa que ele pode ser acionado para qualquer outro voo, dependendo da necessidade da empresa. Portanto, Carlos foi removido do voo que estava e acabou parando no meu voo, para Índia.

A pergunta era: qual voo que Carlos havia perdido. A resposta: Hamburgo, Alemanha. A partir daí entendi o mal humor do rapaz, porque se fosse eu, iria chorando na ida e na volta do voo para Hyderabad (entenda que qualquer voo para India não é considerado um voo bom pelo grupo de comissários daqui da empresa).

Hamburgo é uma das cidades que eu mais gosto desse mundo. Pois, é uma cidade linda, e por sorte, já pude estar lá em várias estações do ano.

 

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Primavera deixa Hamburgo muito florida. E em qualquer mercadinho da cidade encontra-se uma seleçāo incrível de flores à venda.

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Hamburgo vista do alto de uma Igreja.

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O melhor de Hamburgo sāo as feirinhas de Natal. Uma variedade de artesanatos, tudo muito delicado. E a bebida da época é o gluehwien, uma tipo de quentāo. Uma delícia.

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Obras de arte por todos os lados.

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O inverno deixa tudo branquinho, apesar do frio. Bom, eu tenho uma quedinha por neve. Acho lindo!

 

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Alster Lake

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Alster Lake no Outono

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Flores, flores, flores

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St. Nikolai, uma igreja de estilo Gótico, construída em 1195. Ela teve seus tempos de soberania, quando foi considerada o prédio mais alto do mundo, entre 1874 a 1876. (Naquela época nem sonhávamos com a construçāo do Burj Khalifa daqui de Dubai.)

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Enfeites de Natal. Todos no Christmas Market de Hamburgo.

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Cantos que encantam por toda a cidade.

O meu conselho ao Carlos foi  que  colocasse no mínimo dois despertadores na próxima ver. Correr o risco de perder essas belezas, não dá não.

 

 

 

 

P.s. Receitinha do vinho quente europeu, chamado glüenwein:

Ingredientes

Serve: 6 

  • 3/4 xícara (180 ml) de água
  • 3/4 xícara (150 g) de açúcar
  • 1 canela em pau
  • 1 laranja
  • 10 cravos-da-índia inteiros
  • 1 (750 ml) garrafa de vinho tinto

Modo de preparo

Preparo:10mins  ›  Cozimento: 35mins  ›  Pronto em:45mins

  1. Em uma panela, misture a água, o açúcar e a canela em pau. Leve ao fogo para ferver, diminua o fogo e mantenha a água fervendo em fogo baixo.
  2. Corte a laranja ao meio e esprema sobre a água fervendo. Fure a casca da laranja com os cravos-da-índia e também coloque a laranja com o cravo na água em ebulição. Mantenha a panela no fogo por mais 30 minutos, ou até que a água esteja com a consistência de uma calda doce.
  3. Misture o vinho, aumente o fogo, mas não deixe o vinho ferver. Tire os cravos que estão na casca de laranja. Sirva o vinho quente em canecas ou em copos preaquecidos (copos gelados podem quebrar).
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Galley FM 2

Basta o serviço na cabine acabar  para a tripulação se reunir nas suas respectivas galleys e então dar início a “fofocaiada”. Os assuntos são variados, mas, o mais comum e quase sempre o único é : relacionamentos.

Não importa as idades, as nacionalidades, o estado civil, o tópico  torna-se interessante em qualquer modalidade, desde que seja sobre conflitos nos relacionamentos. Quem está casado chora as mágoas, quem está solteiro confessa suas angústias para encontrar o Mr. ou Mrs. Right. (aquele que vai consertar tudo).

E, eu penso ” Por favor, somos tantas nacionalidades trabalhando juntas, tantas diferenças culturais, tantas questões muito mais relevantes a serem discutidas e a conversa sempre se resume nos relacionamentos”

Houve épocas em que eu me afastava dos grupinhos, ou participava como ouvinte. Não que eu não tivesse minhas questões a serem discutidas, mas pelo simples fato que já estava entediada da mesma novela.

Porém, um dia lendo um livro de umas das minhas escritoras prediletas, Elizabeth Gilbert, ela relatou a seguinte história:

Deborah (mesmo nome!!!) era uma psicóloga, a qual tinha sido convidada para participar de um programa de apoio a um grupo de refugiados do Camboja. Um tanto quanto preocupada, Deborah perguntou-se que tipo de suporte ela poderia oferecer aquela gente, que já havia sofrido tanto. Mas, mesmo receosa, seguiu em frente. Para sua surpresa, Deborah se deparou com as seguintes questões: relacionamentos. Os refugiados não queriam conversar sobre o sofrimento da guerra, ou do fato de alguns deles terem testemunhado suas famílias serem mortas diante de seus olhos. Não, eles queriam falar sobre aquela pessoa que eles conheceram no barco dos refugiados, da incerteza sobre o amor de tal pessoa e assim por diante.

Foi a partir daí que cheguei a conclusão de que não importa nacionalidade, posição social, orientação sexual, diferenças culturais, somos definidos pelos nossos relacionamentos. As pessoas que amamos e as que nos amam.

E, depois de uma época sem participar muito das conversas, me juntei ao grupo novamente. E viva a terapia de grupo!

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Esta foto foi tirada em 2011, em um voo a caminho de Durban – África do Sul. Gustavo (meu namorado) foi comigo, como meu passageiro. Nesse dia os holofotes estavam em mim. Minhas colegas queriam saber tudo…quem ele era, a quanto tempo estávamos namorando (3 meses na época), quais nossos planos, etc. Porém, hoje em dia as perguntas não são diferentes e poderia escrever uma lista dos questionamentos: 1. Tem namorado? 2. Se sim, ele é da onde? 3. Se não, por que? – Agora, como que sabemos o porque exato de não termos um namorado? 4. Ele mora em Dubai? 5. Se sim, o que ele faz? 6. Para minha sorte ele também é comissário de bordo! Ufa! Já eliminei muitas outras possíveis perguntinhas. E a lista continua, um dia talvez eu publique a ordem exata de como esses questionários acontecem.