Paris

Eu estava em um voo de Praga, República Checa, para Dubai. Minha colega de cabine era do Quénia, e logo após o serviço de bordo ser finalizado sentamos na galley (a cozinha do avião) e começamos a conversar.

Eu estava radiante, pois após aquele voo eu tinha 5 dias de folga, e ia ter o privilégio de ir para Paris passar uns dias com minha sogra, Marilde.

Fiona: Vamos pousar no final de semana em Dubai, quais teus planos?
Eu: Vou passar este final de semana em Paris.
Fiona: Sozinha?
Eu: Não, vou com meu namorado visitar sua mãe, que está em Paris.
Fiona: Ah! Que legal, ela é francesa?
Eu: Não, ela é brasileira! Ela alugou um studio em Paris, e está concretizando um grande sonho dela, que é passar uma boa temporada na França, vivendo o dia dia do lugar. Como uma verdadeira francesa!
Fiona: Nossa, que espírito jovem da tua sogra.Quantos anos ela tem?
Eu: 57.
Fiona: Meu Deus, que corajosa, e ela fala francês?
Eu: Oui! Fala muito bem o francês. E, não é só isso, ela tem um blog, no qual ela posta todas essas vivências maravilhosas. Um presente para nós leitores.

Fiona não falou mais nada.

De certa forma me me traz desconforto essa ideia que as pessoas tem sobre idade. Se tens 20 deves se comportar de tal forma. Se os 30 chegaram, meu deus! Seu comportamento deve ser de outra forma…nos 40, não podes usar isso, ou dizer aquilo. Aos 50?? O que nos resta? Ficar em casa fazendo tricô? Bom, eu tenho 36 e adoro fazer crochet. Eu acredito que não existe idade para nada, basta querer realizar um sonho e correr atrás. Sim, minha sogra (também acho estranho esse título), Marilde é muito corajosa, pois para sair do conforto de sua casa e encarar o mundo, tem que ter coragem. E isso é válido para qualquer idade.

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Olha que prédio maravilhoso. Le Dome, fica bem pertinho da casa de Marilde. Impossível não parar por ali e tomar uma taça de vinho. Tem café também, mas Paris parece sempre te convidar para uma boa taça de vinho.

 

Vista da janela do quarto do studio, na Rue Legendre, Les Batignolles - Paris

Vista da janela do quarto do studio, na Rue Legendre, Les Batignolles – Paris

No domingo, decidimos ir para Versailles. No caminho, uma parada na feirinha. Frutas, legumes e saladas de dar água na boca.

No domingo, decidimos ir para Versailles. No caminho, uma parada na feirinha. Frutas e verduras de dar água na boca.

Na porta de entrada do prédio da casa parisiense de Marilde.

Na porta de entrada do prédio da casa parisiense de Marilde.

Como muitos prédios em Paris, não tinha elevador no prédio. Eram 4 lances de escadas. Um exercício diário.

Como muitos prédios em Paris, esse também não tinha elevador: 4 lances de escadas. Um exercício diário.

O Palácio de Versailles. Nossa querida guia sabia o caminho direitinho. Com seu caderninho secreto em mãos, lá tinha cada detalhe sobre os trens e estações que devíamos descer.

O Palácio de Versailles. Nossa querida guia sabia o caminho direitinho. Com seu caderninho secreto em mãos, lá tinha cada detalhe sobre os trens e estações que devíamos descer.

Para quem me conhece, sabe como eu sou apaixonada por portas. E, essa então? Folhada em ouro. Simplesmente magnífica.

Para quem me conhece, sabe como eu sou apaixonada por portas. E, essa então? Folhada em ouro. Simplesmente magnífica.

Marilde nos conduziu pelo Versailles. Comprou nossas entradas pelo website.

Marilde nos conduziu pelo Versailles. Comprou nossas entradas pelo website.

Os tetos pintados do Palácio de Versailles. Obras de artes incríveis.

Os tetos pintados do Palácio de Versailles. Obras de artes incríveis.

Portão do Palácio de Versailles. Imponente, e à altura dos que ali já habitaram.

Portão do Palácio de Versailles. Imponente, e à altura dos que ali já habitaram.

A cama da Maria Antonieta. Eu e Marilde tentávamos entender como que a Rainha dormia em uma cama tão pequena. Um palácio gigantesco, porém uma cama apertadinha.

A cama da Maria Antonieta. Eu e Marilde tentávamos entender como que a Rainha dormia em uma cama tão pequena. Um palácio gigantesco, porém uma cama apertadinha.

No segundo dia em Paris, fomos levados pela Marilde neste museu lindo, o L'Orangerie. Pude ver obras  de Claude Monet.

No segundo dia em Paris, fomos levados pela Marilde neste museu lindo, o L’Orangerie. Pude ver obras de Claude Monet.

Marilde tem dois filhos lindos, O Gustavo (meu namorado) e a Gabriela. Nestes dias o Gustavo pode ganhar um carinho dessa mãe coruja.

Marilde tem dois filhos lindos, O Gustavo (meu namorado) e a Gabriela. Nestes dias o Gustavo pode ganhar um carinho dessa mãe coruja.

Uma paradinha para descansar no Jardin de Tuilleries.

Uma paradinha para descansar no Jardin de Tuilleries.

Marilde querida, fica aqui registrado minha admiração por ti, e por todas essas tuas vivências maravilhosas. Eu adoro Paris, mas em tua companhia foi muito melhor.

 

p.s. Acompanhe o blog da Marilde também!

http//vivenciasdemarildinha.blogspot.com.br

 

 

 

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ZED

Quem trabalha em alguma empresa aérea tem o benefício dos sonhos: passagens aéreas com desconto. Mas esse privilégio vem com uma pequena restrição, pois o funcionário ou beneficiário embarca se houver lugares disponíveis no avião. Portanto, se for alta temporada, tipo verão maravilhoso na Europa, cuidado, você, prezado aeroviário, viajar com uma passagem ZED, como a chamamos, pode lhe render muitas aventuras.

Eu trabalho na aviação há quase 14 anos e muitos já foram os sufocos…ficar esperando até o último passageiro embarcar, com o olho fixo no colega que está atrás do balcão na expectativa de conseguir entrar naquele voo. Como diria o Roberto Carlos, ” são tantas emoções “.

Dia 02 de agosto embarquei para Paris. E, passei 4 dias maravilhosos por lá. Porém, eu já estava ciente que a volta de Paris para Dubai poderia ser um pouco mais tumultuada do que a ida, pois, como eu havia dito anteriormente, os voos para França estavam todos lotados. Quem não quer aproveitar Paris em um clima agradabilíssimo e em companhia de quem a gente ama? Eu queria, portanto, arrisquei.

Eu tinha duas cartas na manga, ou melhor duas passagens. Uma com a Air France decolando as 13:30 e outra da Emirates decolando as 15:35 no mesmo dia. Minha ideia era, se caso não embarcasse no primeiro voo, tentaria o segundo. A teoria sempre é uma perfeição.

Chego no check-in da Air France, logo eles me entregam um cartão de embarque em standby e despacham minha malinha. A qual despachei porque tinha comprado uns vinhos, queijos e mel, e a restrição para líquidos para qualquer bagagem de mão não pode ultrapassar de 100ml por embalagem. Enfatizo aqui a minha preferência em viajar light, uma pequena mala de mão e era isso. Obviamente, eu comprei vinhos, então não tinha outra opção senão despachá-la.

12:45 eu deveria estar na sala de embarque. Por volta desse horário, me despedi do meu namorado, que me acompanhou até ao aeroporto, e dei início a minha jornada. O aeroporto de Paris é imenso, prédios e asas que são interligados por vastas esteiras e trens. O voo da Air France decolava do terminal 2F. Ao chegar no portão de embarque, percebo que a fila é gigante. Logo pensei “esse voo está lotado”. Eu e mais oito colegas aguardávamos angustiados a resposta para o embarque, todos na mesma situação, o que chamamos de estar em standby. Minha preocupação aumentava ao olhar para o relógio, o qual já marcava 13:30 e não tínhamos nenhuma resposta da equipe de terra. Alguns perguntavam sobre alguma posição, mas as conversas eram em francês, bla bla bla blu pra cá, bla bla blu pra lá. Eu me sentia uma verdadeira surda ou analfabeta (por que não estudei Francês?),e a cada instante pedia aos que estavam ali, na mesma situação ( que esperavam para embarcar), para tradução do que diziam…

13:45 marcava no relógio, e o rapaz informa que ainda deveríamos esperar por 5 minutos. Os ponteiros pareciam não se mexer. Daqui a pouco chega um passageiro atrasado, entra esbaforido na sala de embarque. No meu pensamento eu só queria saber porque aquele indivíduo havia aparecido. Sorte a dele, não a nossa.

14:00, a hora da verdade. Não deu. Obviamente que a explicação era extensa, mas como não entendia absolutamente nada do que eles falavam, só entendi : “tentem amanhã”.  A alternativa de tentar no outro dia estava descartada, pois eu precisava ir para Dubai naquele dia. Portanto, logo pedi para a equipe de terra onde eu poderia recolher minha bagagem, porque iria correr para o check-in da Emirates para tentar o voo que saia em uma hora e meia.

O caminho era longo, envolvia trem e o encontro do setor de bagagens. Quando pisei na área de desembarque, onde encontraria minha bagagem, eu e  mais todas as pessoas que seguiam para o mesmo lugar foram barradas. Ameaça de bomba. O que? Como? . Isso mesmo, eu não podia sair de onde estava, pois a equipe especial do aeroporto estava averiguando a tal ameaça, portanto, nos restava esperar.

E são nessas horas que o relógio anda mais rápido.

Nesse meio tempo, o meu namorado já estava no balcão da Emirates. Ao saber que eu não tinha embarcado no voo anterior, ele permaneceu no aeroporto de Paris para me auxiliar. Ele me informou que eu tinha 20 minutos para chegar até o check in da Emirates.

E, nesses momentos, damos graças a Deus a tecnologia. Com o wifi do aeroporto, consegui fazer meu check in online para o voo de Dubai. O desafio era conseguir sair de onde estava, e correr.

Passados 15 minutos de espera, fomos liberados pelos oficiais de segurança do aeroporto. E, agora onde encontraria minha mala? Ao achar o balcão de bagagens da Air France, passei na frente de todos, que me pareciam muito indignados com minha audácia em furar a fila, nessas horas agradeço por não entender a língua local. Eu precisava de uma resposta rápida. E, a resposta era que minha bagagem demoraria 30 minutos para chegar no terminal.

14:25 marcava no relógio, portanto, eu não tinha meia hora para esperar. Eu disse: ” deixa minha mala aí, outra hora eu pego.”

E corri, como nunca corri antes. Eu tinha que ir do terminal 2F para o 2C, onde se encontra a Emirates. Atropelei muita gente no caminho, pedia desculpas, mas estava em uma missão.

14:40 eu chego no balcão. Os atendentes já estavam empacotando tudo, literalmente tudo, as etiquetas, os divisores de fluxo. Meu coração acelerado. Corri em direção a um deles que me apontou ao supervisor, o qual me diz: ” você está atrasada.”

Pode parecer ridículo, mas comecei chorar. E, ao ver o Gustavo (meu namorado) vir correndo em minha direção, as lágrimas escorriam ainda mais. Mas, saí dali com meu cartão de embarque nas mãos. 14:45, precisava ir para o portão de embarque.

A minha cara de choro era visível, e as pessoas faziam seus julgamentos, mas todos se mostravam muito prestativos a me ajudar, até o oficial de imigração, que ao olhar para o meu passaporte não entendeu muito a quantidade de carimbos mostrando as saídas e entradas no país no mesmo dia. Ele, por sua vez, me explicou direitinho como chegar no portão 81. Corro mais um pouquinho, e quando chego para meu embarque, percebo que havia perdido meu cartão de embarque.

Ao contrário de chorar, eu ri. Um riso nervoso. Mas, eu sabia, isso não era um impedimento para embarcar, bastava imprimir um novo boarding pass.

Dei um suspiro de alívio ao sentar no meu assento. Merecido assento, que tanto corri e batalhei por ele.

A mala chegou 5 dias depois, pois a Air France teve a gentileza de me enviar e entregar em casa. Todos os meus vinhos, sabonetinhos de lavanda estavam bonitinhos lá dentro. E, para comemorar tomei um banho bem cheiroso com meus sabonetes novos e fiz um brinde com um belo vinho rosé.

Santé!

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A mala foi entregue!