Menor Desacompanhado

Outro dia fiz um voo para o Bahrain. É um voo curtinho, não mais do que uma hora voando.

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Como é possível ver no mapa, o Bahrain fica bem pertinho dos Emirados Árabes Unidos. Um país que também faz parte do Oriente Médio.

Durante o embarque, uma agente de terra trouxe o pequeno Raphael. Ele tinha 6 anos de idade e estava viajando sozinho. Falava um inglês adorável, com um sotaque escocês. O garoto estava todo estiloso, cabelo cortado de acordo com a moda, gel, perfumado e com uma camiseta de um time de futebol inglês. O procedimento é levar o garoto ao seu assento, e esclarecer que ele não pode desembarcar sozinho, pois toda a sua documentação está em mãos do chefe de equipe. É válido destacar, que uma criança pode viajar desacompanhada de seus pais nas idades de 5 a 12 anos. Mas, obviamente que uma criança de 12 anos vai estar mais tranquila do que uma de 5 ou 6. Fiquei com receio pelo pequeno Raphael, apesar dele estar acostumado a viajar, pois parecia muito familiarizado com avião; ainda sim fiquei preocupada que ele desembarcasse juntamente com os demais passageiros.

Iniciei uma conversa com ele. Ele nos informou que sua mãe poderia estar a bordo também. Ao falar isso, surgiu um certo estranhamento. Por que o menino estaria viajando sozinho se a mãe estava a bordo? Foi então que a agente de terra nos confidenciou algo importante. O menino não estava autorizado a viajar na companhia da mãe por questões legais. Provavelmente os pais estavam se separando, e havia uma briga na justiça pela guarda da criança.

Meu coração apertou mais ainda. Embora a mãe do menino não estivesse listada para aquele voo, vai saber do que as māes são capazes de fazer por seus filhotes.

Durante o voo o Raphael comportou-se direitinho, comeu o lanchinho, brincou com seus bonecos e nāo aparentou estar com medo em nenhum momento.

Logo antes de pousar, eu fui buscá-lo em seu assento, para que então pudesse ficar mais próximo da tripulação, e desta forma, não correndo riscos de desembarcar com os demais passageiros, e portanto, perdendo-se na multidão.

Havia um certo receio de que a tal mãe estivesse escondida entre os demais. Pois o menino havia dito que ela estaria possivelmente a bordo. Será que ela estava planejando um sequestro? Fugir com seu filho? Porém, nada disso aconteceu.

Pousamos em Bahrain, Raphael pode acompanhar tudo pela janela do avião, e me parecia muito feliz em estar por aquelas terras.

Ao ser entregue pelo agente de terra, eu perguntei a ele :

– Raphael, quem vem te buscar?

E ele:

– A minha mãe.

Por final, não ficamos sabendo o que realmente aconteceu. Se era invenção do menino, ou simplesmente uma vontade muito grande de estar com sua mamãe.

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O pequeno na foto é o Fabrício, meu sobrinho de oito anos de idade. Nesse dia ele viajava com sua mãe, minha irmã, de Dubai para São Paulo. Eles tiveram muita sorte, pois o meu melhor amigo estava operando o voo, e pode dar uma atenção especial aos dois. O Fabrício, assim como o Raphael da história acima, também está enfrentando uma batalha na justiça. O meu desejo é que ele sempre possa viajar com sua mãe.

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