O mundo de Débora

 

 

Hoje completo 7 anos desta profissão. Sinto-me imensamente grata e feliz por ter visitado tantos lugares neste mundo. Mas, a viagem continua e o mapa abaixo mostra que ainda há muitos outros países a serem visitados.

Os países marcados em azul escuro são os lugares visitados. Os em branco ainda a serem explorados.

Os países marcados em azul escuro são os lugares visitados. Os em branco ainda a serem explorados.

 

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Ditados populares

Há alguns ditados populares que não podemos traduzir que perdem a graça ou o sentido. Imagina que aqui em Dubai durante o verão as temperaturas chegam aos 50 graus Celsius. Um brasileiro poderia dizer perfeitamente ” está tão quente que poderíamos fritar um ovo nesse chão”.

Mas, o dia de fato estava muito quente e eu estava acompanhada da mãe de um amigo meu, que é indiana, a Dona Sharda. Estávamos em um parque aquático,  o dia estava insuportavelmente quente que nem as águas do ambiente conseguiam nos esfriar.

Dona Sharda olha para nós e diz:

” está tão quente que poderíamos fazer chapati nesse chão”

Risos! Pois, talvez na Índia não se coma tanto ovo frito, mas chapati, um pãozinho frito típico, esse se encontra em todos os lugares por aquelas terras.

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Uma senhora indiana preparando o chapati.

 

Um pouco da Índia

O pavor de qualquer tripulante que trabalha na primeira classe é ter que ajudar em outra classe do avião. A verdade é que já nos acostumamos com um número pequeno e seleto de passageiros, e quando temos que enfrentar uma cabine de 300 pessoas, dá um medinho. (risos) Mas, quando não temos nenhum passageiro na classe dos ricos e famosos, o jeito é oferecer nossos serviços por outras bandas.

Foi assim, que outro dia em um voo para Índia, eu fui dar uma ajudinha na classe econômica. Como eu já perdi o pique de entregar 39 bandejas em 5 minutos, eu pedi para fazer o bar. Eu era a bar tender da econômica. Ao oferecer uma bebida a essas duas passageiras indianas, elas recusaram. As duas estavam muito bem vestidas, com seus saris coloridos e seus cabelos adornados com flores de jasmim. Mas, ficaram olhando para o carrinho cheio de bebidas, aquele olhar de criança que quer algo dali, mas que a mãe disse que não podia pedir nada.

Eu observei que elas não tinham as bandejas com a refeição a sua frente, e foi então que perguntei:

– Vocês não estão com fome? Não querem nada para comer?

As duas riram, aquele riso de criança envergonhada, que talvez não possa falar com estranhos.

E, uma delas revelou:

– É que foi nosso irmão que comprou nossas passagens, não sabemos se ele pagou pela comida também.

Nossa, fica aqui registrado o aperto no coração que me deu. Acredito que meus olhos encheram-se d’agua. Mas, de uniforme, e na frente dos demais passageiros, que neste momento olhavam para mim, eu não podia chorar.

Eu sorri e disse:

– Tenho certeza que ele pagou pela comida e pela bebida de vocês neste voo.

A felicidade delas era visível em seus sorrisos. Escolheram a opção vegetariana e um suco de manga cada uma.

Por fim, eu fui ajudar e quem recebeu a lição fui eu.

P.s. Eu sei que muitas empresas cobram pelo serviço de bordo, mas não é o caso da minha empresa.

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Eu adoro um sari. Não sei se a minha paixão é pelas cores, ou pelos tecidos. Eu simplesmente acho lindo.E, por minhas andanças pela Índia, já adquiri alguns saris. Tive a oportunidade de usar um deles nesta celebração indiana que se chama Diwali. “O Diwali (também transcrito do Deepavali ou Deepawali) é uma festa religiosa hindu, conhecida também como o festival das luzes. Durante o Diwali, celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogo de artifício. Este festival celebra, entre outras histórias, a destruição de Narakasura por Sri Krishna, o que converte o Diwali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal”.(wikipedia)

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O sari, na verdade é um pedaço de pano que chega a medir 8 metros. O segredo está no enrolar no corpo, nas dobras, no drapeado. Tudo requer uma técnica que somente as indianas têm. Eu já tentei colocar os meus inúmeras vezes, mas sempre acabo recorrendo a vídeos no Youtube, que ajudam bastante.

 

 

Io hablo Coreano?

Depois de alguns anos nesta profissão, eu aprendi muitas palavras em vários idiomas. Um bom dia em italiano daqui, um obrigado em russo acolá. E, a reação sempre é a mesma de quem as ouve: um sorriso no rosto. Em geral, as pessoas gostam de ver que alguém está tentando falar o seu idioma, e desta forma, quebrando o gelo. Eu, por exemplo, acho muito legal quando alguém pergunta minha nacionalidade, e ao descobrir que sou brasileira, arrisca uma palavrinha em português.

Esses dias eu estava em casa, e dei início a uma brincadeira boba, pois dizia ao meu namorado que havia aprendido coreano.

“Samsung, KIA, kamsahamnida (obrigado), Kimchi ( comida típica coreana), KIA, Samsung”

Ele riu.

Passados mais alguns dia, eu estava a bordo de um voo para São Paulo, e um colega libanês muito entusiasmado se aproxima e diz:

Eu sei falar português!

E disse: ” Caipirinha, futebol, Havaianas, Morumbi (shopping center perto do hotel onde ficamos hospedados), obrigado”

Eu olhei para ele e respondi: ” O teu português está tão bom quanto o meu coreano.”

Um pouquinho de Seoul, capital da Coréia do Sul.

Um pouquinho de Seoul, capital da Coréia do Sul.

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Comidinhas de rua de Seoul

 

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A bandeira da Coréia do Sul.