Ano Novo

Nesta passagem de ano, de 2014 para 2015, eu estava trabalhando. Operei um voo para Washington DC, Estados Unidos. Eu não vesti branco, e sim o meu pijama. E, para falar a verdade, não vi nem fogos de artifício e nem bebi champagne. Triste? Não, diferente.

O voo decolou de Dubai para Washington dia 31, as 2 da manhã. Ao chegar nos Estados Unidos, eu já não sabia se era dia ou era noite. Eu queria dormir. Obviamente que sempre se acha uma energia reserva para fazer umas comprinhas nos “States”, que é o paraíso das compras, ainda mais após o Natal. (Mega liquidações). Devido a diferença de horário, muitos outros cantos do mundo já celebravam a chegada de 2015, mas nos Estados Unidos ainda era cedo. Sendo assim eu vi que não ia aguentar até a meia noite. Dito e feito, voltei do shopping, tomei um banho e coloquei meu pijaminha. Mas, antes de dormir, a ceia de Ano Novo foi pedida para ser entregue no quarto 503, o meu!

Ceia de Ano Novo americana? O que eu poderia ter pedido? Hambúrguer com batata frita.

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Na minha família, a tradição manda que se coma lentilha, salada de batata, torta fria, salada de frutas e outras guloseimas. Mas, onde eu encontraria isso na véspera de Ano Novo nos Estados Unidos? Talvez na casa de algum brasileiro que morasse por lá.

Enquanto eu apreciava a minha ceia de final de ano, minha irmã conversava comigo pelo What’sup. Me contando dos preparativos para o Ano Novo dela no Brasil. A tecnologia é uma maravilha, pois ela me mandou fotos dos pratos preparados, vídeos do meu sobrinho brincando e etc. Essas mensagens foram trocadas para que de certa forma eu pudesse participar do momento com eles, e vice versa. O mais interessante, é que ela me confessou que meu sobrinho, o Fabrício, ao ver a mesa posta, com pratos de lentilha, arroz, salada de batata e tudo mais, disse: ” Não gosto nada disso, só vou comer arroz.”

Então ela disse: ” Ele queria estar aí em Washington, comendo essa tua refeição, repleta de batatas fritas”

Eu ri, pois não gosto de batata frita, eu queria era estar lá, comendo lentilha.

E, fui dormir refletindo sobre o que tinha acontecido. Pois, nem o meu sobrinho nem eu estávamos felizes pela comida disponível naquela hora. Se fosse possível o tele transporte, tenho certeza que eu e o Fabrício tínhamos topado na hora. Mas atualmente, a tecnologia nos permite trocar fotos, vídeos, mensagens de voz, mas corpos, ainda não. Qual a solução então?

Hoje, eu comecei a ler um livro que se chama ” A arte da felicidade” da Sua Santidade o Dalai Lama, escrito por Howard C. Cutler. Ao ler o seguinte trecho, achei a resposta da pergunta acima:

“Como podemos, então, alcançar esse contentamento íntimo? Há dois métodos. Um consiste em obter tudo o que se quer e deseja – todo o dinheiro, todas as casas, os automóveis, o parceiro perfeito e o corpo perfeito. (…) Se nossos desejos e vontades permanecerem desenfreados, mais cedo ou mais tarde vamos nos deparar com algo que queremos e não podemos ter. O segundo método, que é mais confiável, consiste em não ter o que queremos mas, sim, em querer e apreciar o que temos”

Fica aqui minha mensagem de um feliz 2015 para todos.

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