A nossa bandeira

A empresa aqui inventou uma nova moda: devemos usar o pin da nossa bandeira no nosso colete de trabalho. Achei interessante o jogo, agora além de tentarem adivinhar nossa nacionalidade, teremos uma bandeira à mostra, o que ajudará na descoberta. Por minha sorte, graças ao futebol, a bandeira do Brasil é bem conhecida. Outras nacionalidades não dispõem da mesma sorte, tal como a Polônia.

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Cuja bandeira é muito parecida com a da Indonésia.

 

 

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Obviamente que seus povos não são nada parecidos. Mas que as bandeiras nos confundem, isso sim.

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Eu carrego o Brasil no peito agora. E, outro dia me perguntaram o significado das cores da bandeira. Já não me lembrava muito bem,mas arrisquei a seguinte resposta:

– O verde representa nossas matas, o amarelo nossas riquezas, o azul simboliza o céu e os rios. Dentro dessa bola azul tem várias estrelas, cada uma representa um estado do nosso país, e no meio dessa linha branca, está escrito a seguinte frase: “ordem e progresso”.

A pessoa que me ouvia disse:

– Uma bandeira tão bonita, um país cheio de gente alegre. Uma pena que não esteja tão em ordem assim, né?

Tive que concordar.

Ao seu dispor

Regra número 1 para quem trabalha no ramo de serviços: o cliente sempre tem razão. E, para satisfazer o seu cliente, que tal antecipar suas vontades? Ou seja, antes que ele tenha sede, lá está você, aeromoça, com um copo d’água a disposição? Na aviação não é diferente, pois quem paga a conta são os passageiros. Portanto, a sua satisfação é a minha satisfação, ou a certeza de ter meu trabalho garantido.

Certo dia eu estava operando um voo para a Índia ( De novo? Vou explicar, a minha empresa opera muitos voos para Índia, portanto, as chances de eu parar pelas bandas de lá são grandes), e decidi dar uma caminhadinha pelo avião.

As coisas andavam muito paradas pela primeira classe, portanto, resolvi aventurar-me pela classe econômica. Ao passar por essa senhora indiana, que deveria ter uns 150 anos (risos), e ao perceber que ela estava revirando um saco plástico repleto de remédios, eu prontamente corri para a galley para buscar um copo d’água para ela. Logo pensei, deve ser o horário dos remédios. Certamente ela ficaria feliz que uma comissária de bordo estaria antecipando suas necessidades, e como num passe de mágica, o copo de água estaria a sua frente, para que pudesse tomar seus remédios.

Saio da galley sentindo-me muito orgulhosa. Carrego comigo o copo d’água que vai surpreender essa mulher. E, talvez, ela lembre desta delicadeza para sempre, e recomende a minha empresa aérea para seus amigos e familiares. Minhas expetativas eram grandes.

Ao parar do seu lado, eu estendo a água. Ela olha para mim e diz:

– Chá!

– Desculpa senhora? Mas talvez queira tomar seus remédios com água?

– Não, eu tomo remédios com chá. E, por gentileza, chá com leite bem quente.

Realmente, há dias que não conseguimos adivinhar as necessidades dos nossos clientes.

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Esse é o famoso Chai Latte indiano. Os indianos bebem muito chá, em especial este.

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Receitinha que peguei na Internet para se preparar um bom chai indiano. Bom proveito! INGREDIENTES – 500 ml de água – 1/2 gengibre ralado – 500 ml de leite – 2 sementes de cardamomo – canela em pau (2 unidades) – 4 colheres (de sopa) de açúcar – 3 colheres (de sopa) de chá preto MODO DE PREPARO: Antes de tudo ferva a água. Na chaleira mesmo adicione a canela, sementes de cardamomo, gengibre, leite e açúcar. Mexa bem e espere esquentar, quando ameaçar ferver, desligue o fogo. Coloque o chá preto e tampe para fazer infusão, espere três minutos e coe para servir.

Qual a sua idade?

Não adianta, aeromoça tem que ser nova, ter pele boa, e ser magra. Aquele estereótipo que as pessoas tem sobre a nossa imagem. E, por conta disso, muitas comissárias de bordo buscam a juventude eterna.

Outro dia estava fazendo um voo para Praga, na República Checa. E, durante o voo, um furacão chamado Helena, da Grécia, adentra a galley da primeira classe  com um ar um pouco transtornado, e pergunta:

– Quantos anos tu achas que eu tenho?

Pela o tom de voz trêmulo da menina, fiquei com receio de responder. Vá que eu desse a resposta errada, e o furacão se transformasse em ciclone?! (risos).

Eu arrisquei uma contra pergunta:

– Mas por que essa pergunta agora?

Ela explicou. O pessoal lá da classe executiva disse que eu aparento ter 31 anos, mas, na verdade, eu tenho 28. Tu achas que eu pareço ter 31 anos?

Ela parecia muito abalada pela diferença de 3 anos. Então eu disse:

– Em primeiro lugar, acredito que tu estejas dividindo essa questão de idade na cabine errada. Aqui, na primeira classe, o pessoal, na maioria dos casos, já passou dos 30. Eu tenho 37, o chefe de cabine 42, e a bebezinha que está trabalhando comigo hoje tem 32 anos. Acredito que tu tenhas que ir lá para a classe econômica, e, dividir teu tormento com os recém chegados comissários. E, honestamente falando, 3 anos não faz diferença nenhuma para mim. Talvez, lá no início de nossas vidas, 3 anos faça muita diferença. Por exemplo, dos zero aos 3 anos de idade aprendemos muitas coisas, mas depois dos 20, acho que isso não importa mais. Diz aí, qual a diferença em se ter  60 para 63, 31 ou 34?

Helena ficou em choque. Olhou para mim muito decepcionada. E disse: ” Não acredito que você não entenda.” E, saiu mais indignada do que quando chegou.

Eu entendi, mas quis provocar. Eu me preocupo com essa neurose da atualidade de querer parecer eternamente jovem. Reformulando minha colocação:  A expectativa de vida do brasileiro subiu para quase 75 anos, por exemplo. Então, se considerar-me velha depois dos 30, isso quer dizer que passarei mais tempo sendo velha do que jovem nesta vida? Para mim, a idade está dentro da gente. E, para ilustrar melhor minhas palavras, recomendo a leitura do livro da Mireille Guiliano, Mulheres Francesas não fazem plástica. Um pequeno guia para se envelhecer com elegância e atitude. Vamos parar de buscar a juventude? E, começar a buscar o sentir-se bem? Ou talvez, parecer o melhor que podemos dentro da nossa faixa etária?

E, todos esses questionamentos sobre idade ocorreram em voo a caminho de Praga, a capital da República Checa, uma das cidades mais velhas da Europa.

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Durante milhares de anos, as primitivas praças da moderna Praga foram passagem obrigatória nas rotas comerciais que atravessavam a Europa de norte a sul. Numerosos resquícios paleolíticos e neolíticos atestam a existência de povoações agrícolas entre os anos 5000 e 2700 a.C. (wikipedia) Pela notinha acima, pode-se imaginar o quão “velha” Praga é.

Detalhes da Ponte Carlos, que une a cidade velha ao Castelo de Praga.

Detalhes da Ponte Carlos, que une a cidade velha ao Castelo de Praga.

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A ponte Carlos. Sua construção começou em 1357 a pedido do rei Carlos IV, e foi finalizada a princípios do século XV. Sendo ela a única forma de atravessar o rio, a Ponte Carlos se transformou na via de comunicação mais importante entre a Cidade Velha, o Castelo de Praga e as zonas adjacentes até 1841. (wikipedia)

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O Moldava (em alemão Moldau, em checo Vltava) é um rio da parte ocidental da República Checa. Nasce nos bosques montanhosos da Boémia e é confluente do Rio Elba. É o rio de maior extensão do país, percorrendo um total de 435 km. Passa pela cidade de Praga. (wikipedia)

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Desta vez, era época de Páscoa. Cores por todos os lados.

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Quantos anos você acha que eu tenho? (risos). Neste pernoite em Praga, lembrei constantemente da minha colega Helena, que provavelmente passou o dia tentando apagar os três anos a mais de seu rosto.

Portanto, se ficar antiga e/ou velha seja ficar igual à Praga, que a velhice me chegue logo.