O careca

As situações mais engraçadas que já vivi a bordo de um avião aconteceram na classe econômica. É lá que há mais pessoas, portanto mais chances de acontecimentos hilários.

Certa vez estava operando como chefe de cabine da classe econômica. Sim, essas coisas acontecem, uma comissária da primeira classe pode ser acionada para trabalhar como chefe.

O voo estava lotado, e super agitado. Certa hora, uma aeromoça surge na galley com um problemão. Dizia ela:

– O senhor da poltrona 44H devolveu sua comida quente pois diz que tem um fio de cabelo na comida. Mas, eu não tenho nenhuma quentinha extra. O que fazer agora, chefe?

E ela continua:

– Para falar a verdade, eu acho que esse fio de cabelo até é dele.

Obviamente que a informei que independente de quem seria o fio de cabelo, até mesmo em um restaurante, o prato seria trocado. Porém ela insistiu em dizer que o cabelo pertencia ao senhor da 44H.

Nessas horas a chefe tem que averiguar.

Como eu senti que ela não estava disposta a resolver o “problema”, tomei a inciativa. Prontamente arrumei outra quentinha e fui correndo entregar para o cliente, que imaginei estar esbravejando de raiva.

Ao chegar diante do passageiro, primeiramente pedi desculpas, pois era um erro lamentável e blá blá blá.

Ele foi muito gentil e agradeceu meu gesto.

Ao olhar para ele, percebi uma coisa: o tal sujeito era careca.

nostalgic man comb his bald head

Meu cabelo, onde????

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A cara do mundo.

Há dois dias atrás estava fazendo um voo para Phuket, Tailândia. Durante o voo uma outra comissária me pergunta:

– Tu conheces o Costas? Ele é um grego que trabalha na classe executiva, acredito que ele seja da mesma época que você.

Respondi que não conhecia o tal do Costas…mas, a menina ainda não satisfeita começou a me perguntar sobre outros tripulantes gregos.

Fiquei encasquetada. Algumas horas depois perguntei a ela:

– Eu sei que tu me perguntaste sobre essas pessoas gregas, mas tu sabes que sou brasileira?

Ela ficou surpresa, pois me disse que tinha certeza que eu era grega. Rimos muito depois.

Ao chegar em Phuket, estávamos na fila da imigração. Um tripulante pede para olhar o meu passaporte. Ao ler meu nome completo ele comenta:

– Pelo teu nome do meio, posso te dizer que tens ascendência italiana, estou certo?

Concordei, aliás, quem do sul do Brasil não carrega uma pequena pitada italiana ou alemã em seu DNA?

E, o menino complementou: ” Mas tu tens uma cara de italiana mesmo”

Se estiver operando um voo para região aqui do Oriente Médio, os comentários são:

– Libanesa? Iraniana?

Se capricho na maquiagem, e faço um olho mais preto… Com certeza perguntam sobre a minha descendência árabe. (risos)

Porém, se o voo for para a Europa, o questionamento é sobre meu ar europeu. Ui que chic!

E a lista do que me pareço só aumenta. Francesa? Italiana? Espanhola? Maltesa? Grega? Portuguesa? Indiana?

Sim, acho que eu tenho essa cor de pele que se camufla entre claros e escuros. Olhos castanhos claros, que com a luz do sol chegam a “esverdear”. Cabelos que ora se apresentam crespos, ora lisos.  Li isso em um livro de umas das minhas escritoras prediletas, a qual dizia exatamente isso… pessoas com pele cor de oliva se misturam na multidão.

Sorte a minha, pois posso dizer que tenho a cara do mundo.

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Minha faceta Indiana.

Meu lado árabe.

Meu lado árabe.

Com ares chineses.

Com ares chineses.

A grega que mora em mim.

A grega que mora em mim.

A italiana que mora em meu coração.

A italiana que mora em meu coração.

Meu lado turco.

Meu lado turco.