Mas tu não falas português?

Outro dia fui parar em Luanda, Angola. País que fala português também. Ao chegar no aeroporto, aquele ar de familiaridade. Propagandas enormes pelos corredores do aeroporto com atores da Globo. Aqueles rostos me eram conhecidos, e me remetiam ao meu Brasil.

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Ao conversar com as pessoas no hotel, a liberdade de poder expressar-me na minha língua mãe. Que alegria, tirando o sotaque angolano, e o uso de expressões que já estão em desuso no Brasil, eu circulei muito bem usando o meu português brasileiro.

Como era a única tripulante do grupo a falar português, eu acabei virando a tradutora daquele voo.

Estávamos nos preparando para voltar a Dubai quando sou chamada na classe executiva para auxiliar uma senhora, a qual não falava inglês. Ao chegar lá, me apresento e pergunto no que poderia ajudá-la. Na verdade, era uma família, a Senhora Maria, o Senhor João e o pequeno Antônio, um menino de 2 anos de idade, todos seguiriam viagem até a Cingapura.

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Classe Executiva

Conversa vai, conversa vem. Eu brinco um pouco com o pequeno Antônio, e foi quando o seu pai me pergunta o seguinte:

– Meus outros filhos estão sentados lá atrás, será que podem sentar aqui conosco?

Eu prontamente respondi que sim.  E, logo saí julgando – “Por que teriam separado tal família? – Saio de cena com o sentimento do dever cumprido.

Errado.

Passados 5 minutos o supervisor da classe executiva me chama dizendo que tinha passageiros a mais na cabine, e que ele havia sido informado que eu teria autorizado três upgrades para os filhos de um tal João. Opa! Eu? Autorizando upgrades? Corri para a cena novamente e fui tentar entender o acontecido.

Ao conversar pela segunda vez com Sr. João, ele me informou que os filhos estavam sentados na classe econômica, e que ele estava muito feliz que eu havia deixado eles sentarem ali. Foi então que eu dei a má notícia, pois não existe upgrade gratuito na minha firma. Se quiser o conforto de poltronas que reclinam inteiramente e copos de vidro, somente mediante pagamento.

Mas, o meu querido passageiro Angolano custava a entender. Eu expliquei que ao me dizer que seus filhos estavam “lá atrás”, entendi que os mesmos estavam sentados na cabine executiva, porém em poltronas mais atrás do mesmo compartimento. E, como ele me omitiu a pequena palavra “econômica”, a verdade era que possivelmente teria havido um grande  mal-entendido em nossa comunicação.

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Classe Econômica

Lembrando que todo esse diálogo fora realizado em português. Os meus colegas supervisores a minha volta não estavam entendendo nada. A única referência que eles tinham era nossas caras e bocas.

Resolvida a questão, crianças voltaram para suas respectivas cabines, Sr. João um bocado tristonho, mas conformado, lá vou eu explicar tudo para a chefe de cabine geral, que seria quase a Madre Superiora do Voo.

Ao expor todo mal-entendido, a “Madre Superiora” me pergunta?

– Mas como assim, um mal-entendido, tu não falas português?

Eu respondo:

– Para a senhora ver, até na mesma língua pode haver falha na comunicação.

 

 

 

 

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